Morador de Capão Novo morre sem transferência determinada pela Justiça

Um morador do bairro Capão Novo, em Capão da Canoa, morreu na quarta-feira, 12 de agosto, dias depois de a Justiça determinar sua transferência para um hospital de alta complexidade sem que a ordem fosse cumprida a tempo. O homem, de 49 anos, pesava cerca de 380 quilos e estava internado desde 25 de julho no Hospital Santa Luzia, na cidade, após passar mal em casa e ser socorrido por uma equipe numerosa de bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência.

A ação judicial foi movida por um amigo advogado contra o plano de saúde do paciente, o IPE Saúde. A decisão, tomada em 5 de agosto, dava prazo de 48 horas para a transferência, que deveria ocorrer até 7 de agosto, mas não aconteceu. Segundo o advogado, a própria equipe médica já havia apontado a necessidade de um serviço mais especializado poucos dias após a internação, já que a unidade não dispunha de estrutura adequada para o porte do paciente, que precisou ser acomodado em uma cama montada sobre paletes.

Com o atraso, o quadro de saúde se agravou: feridas na pele evoluíram para uma infecção enquanto a determinação judicial seguia sem cumprimento. O advogado relatou ter buscado, por conta própria, vagas em hospitais de Porto Alegre credenciados ao plano, mas a maioria recusou o caso. A articulação para a transferência avançou depois que a situação ganhou repercussão em reportagem de TV, na segunda-feira, 10 de agosto.

Na terça-feira, 11 de agosto, uma vaga foi confirmada no Hospital de Clínicas, em Porto Alegre, mas o paciente já estava intubado e sem condições clínicas de suportar o deslocamento, o que impediu a remoção. Ele morreu no dia seguinte. Em nota, o IPE Saúde afirmou lamentar o óbito, negou ter havido recusa de cobertura e disse ter buscado ativamente um leito compatível, mas que hospitais contatados alegaram não ter capacidade técnica para o caso.

Com informações de Litoral na Rede.

Posts Similares